Transfeminicídio: violência de gênero e o gênero da violência.


Referindo-me ao caso de Verônica Bolina, afirmei: “Sabemos que a vida de um negro vale menos que a de um branco no Brasil. Não é novidade que os ricos não são presos. Mas talvez ainda não se saiba o suficiente sobre a natureza da violência que as pessoas trans sofrem no Brasil.” (BENTO, 2015, p. 55) É sobre a natureza dessa violência que me debruçarei neste capítulo. Os assassinatos contra as travestis, as mulheres trans e as mulheres transexuais são considerados no côm- puto generalizante de violência contra LGBTs. Sugiro nomear esse tipo de assassinato como “transfeminicídio”. Ao acrescentar “trans” ao “feminicídio”, por um lado, reafirmo que a natureza da violência contra travestis, mulheres trans e mulheres transexuais é da ordem do gênero e, por outro, reconheço que há singularidades nesses crimes, conforme discutirei.

Transfeminicídio  é  inspirado  no  conceito  de  “feminicídio”, cunhado para tipificar os assassinatos das mulheres não trans que aconteceram (acontecem) na Ciudad Juárez/México. Na primeira parte deste capítulo, farei uma breve incursão sobre a história do conceito, a natureza dos crimes e os efeitos da sua utilização na dis- puta pela tipificação dos crimes que estavam (estão) acontecendo. Na segunda parte, apresentarei argumentos que tentarão justificar o porquê interpreto o gênero feminino como local potencialmen- te mais propenso à violência. Na terceira parte, farei uma leitura generificada do Relatório de Assassinatos de Homossexuais no Brasil (LGBT), publicado anualmente pelo Grupo Gay da Bahia.

Para ler o artigo completo, acesse:

https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/30169/1/dissidencias-sexuais-genero-repositorio.pdf

Imagem da capa: Sinfrônio – Diário do Nordeste. 


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