Viagem aos Campos de Refugiados Saharauis (África)

Viagem aos Campos de Refugiados Saharauis (África)
Há um povo que foi expulso de suas terras e que vive no deserto. Aqueles que conseguiram ficar vivem sob o domínio colonial. Entre a repressão do reino de Marrocos e as condições desumanas dos Campos de Refugiados, o povo saharaui luta por justiça e autodeterminação há 45 anos. Os Campos de Refugiados estão no deserto do Saara, em território argelino. Entre os dias 22 e 29 de fevereiro de 2020, visitei os Campos (em Tindouf/Argélia) e fui hospedada amavelmente na casa da família Buyema, no Campo de Refugiados Bojador, um dos cinco Campos em que estão espalhadas milhares de famílias saharauis. Esta exposição virtual é uma pequena amostra de momentos compartilhados. O desejo mais profundo que me move é que este povo tenha a reparação histórica que merece. O que significa o retorno para suas terras, o reconhecimento do seu Estado e a responsabilização de Marrocos por seus crimes contra a humanidade e espoliação dos recursos naturais do Saara Ocidental. Fonte: Naciones Unidas (https://www.attsf.org/situacion-base/)
MARATONA NO DESERTO: A Maratona do Saara (Sahara Marathon) é uma prova que tem como objetivo demonstrar solidariedade ao povo saharaui e acontece nos Campos de Refugiados em Tindouf (Argélia). O ano de 2020 marcou a vigésima edição.
Antes do início da Maratona, crianças dos cinco Campos de Refugiados fazem uma largada simbólica no Campo de El Aaiun. Logo após, inicia-se a prova oficialmente. Muitas crianças, no entanto, continuam acompanhando os/ as maratonistas por longas distâncias.
Chegam pessoas de várias partes do mundo e de todos os Campos para acompanhar a Maratona. As raimas (tendas) saharauis funcionam como ponto para apoio aos/ às atletas e de encontro para quem vem assistir a largada da maratona..
Luta política, esporte, solidariedade e beleza se encontram e se misturam. É um dia de festa. Em uma composição estética singular, as flores, negadas pelo deserto, nascem nas melfas (vestes) das mulheres. As cores da bandeira da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) repousam como cachecol. Na cabeça, o elegante turbante mistura funcionalidade (proteção contra a teimosa areia) e elegância.
Emoldurado pelo céu e pela areia, o ponto de largada da maratona começa a receber os/ as atletas. O deserto, lugar para onde o povo saharaui correu para salvar suas vidas, hoje é o lugar em que se corre pelo direito à autodeterminação.
A FESTA NACIONAL: No dia 27 de fevereiro os Campos de Refugiados celebram a Festa Nacional, dia de fundação da República Árabe Saharaui Democrática (RASD). Em 1976, a Frente Polisário, representando política do povo saharaui, estava em luta contra a Mauritânia (ao sul) e o Marrocos (ao norte). Ambos países se diziam donos do território recém deixado pelos colonizadores espanhóis. Seguiu-se uma luta armada contra os invasores lembrada durante a Festa Nacional.
A Mauritânia foi derrotada pelos combatentes da Frente Polisário. Marrocos segue desrespeitando a decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia que determinou que o Saara Ocidental pertence ao povo saharaui.
Marrocos segue espoliando as riquezas naturais saharauis, com destaque para a pesca, as reservas de petróleo e as minas de fosfato. As crianças, vestindo roupas tradicionais da cultura de seu povo, levam mensagens que denunciam este roubo continuado e exigem que os navios marroquinos que levam estas riquezas para outros países sejam boicotados.
Para separar os/as saharauis que estão sob dominação colonial e as famílias que estão nos Campos dos Refugiados, Marrocos construiu um muro de 2.700 quilômetros (a distância, mais ou menos, entre as cidades de Brasília a Porto Alegre). A criança carrega esta enorme caixa para representar o “muro da vergonha”.
A raima (tenda) é um dos símbolos da identidade saharaui. Elas estão em todas as partes dos Campos. A barraca é uma expressão do desejo de voltar para o solo que lhes pertence, hoje sob o domínio colonial marroquino.
Não é possível escrever a história do povo saharaui sem destacar o protagonismo que as mulheres desempenham nesta sociedade. Seja como professoras, médicas, construtoras de raimas, na esfera política e administrativa dos Campos, nada pode ser contado sem elas.
Crianças do ensino fundamental se apresentam na Festa Nacional. A impossibilidade da existência em condições materiais e climáticas insuportáveis para vida humana, encontra aqui a excepcionalidade da existência saharaui. O dia da Festa Nacional é o momento para se reafirmar: “seguimos dando a vida e fazendo a vida”. A professora com sua veste (melfa) própria para os dias de festas, segue, firme, segurando as mãos de seus/suas estudantes e protegendo–os/ as.
Meu olhar encontra-se com o da menina que esperava impaciente a hora de desfilar com seus dedos imersos na potente henna saharaui, cabelos e corpo esculpidos com adereços típicos da cultura de seu povo.
Em 1991, a Frente Polisário e Marrocos assinam o cessar fogo. A ONU passou a mediar o conflito e para isso criou a Missão das Nações Unidas para o Referendo do Saara Ocidental (MINURSO). O objetivo principal: supervisionar o referendo no qual os/as saharauis iriam decidir pela anexação ao Reino de Marrocos ou pela organização de um Estado soberano. Já se passaram 29 anos e a MINURSO tem fracassado sucessivamente na implementação do objetivo para o qual foi criada. Os jovens, inclusive as mulheres, sabem que talvez o retorno à guerra contra Marrocos seja o único caminho para conquista da independência do domínio colonial.
Os/ as estudantes, sob um calor escaldante, vestem as cores da bandeira da República Árabe Saharaui Democrática (RASD). Desfilam seus corpos e reafirmam a disposição de seguirem a luta por seu direito de existir como povo.
COTIDIANIDADES: Os primeiros Campos começaram a se formar em 1975. As tendas (raimas) foram as moradias iniciais. Ao longo dos 45 anos, as construções de casas de alvenaria começaram a aparecer. A energia é fornecida pela Argélia. A imensidão do deserto é interrompida pela presença de casas precárias, ruas inventadas e torneadas por pneus velhos. As difíceis condições climáticas limitam a presença de pessoas nas “ruas”.
A estética dos espaços públicos vazios e as casas com ares de abandono me produziam a sensação de que não havia vida dentro daquelas casas. O grande cilindro armazenador de água e a bandeira da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), no entanto, avisam-me que estou enganada.
A água é o bem mais raro no deserto. Quem tem condições econômicas adquire outros reservatórios. O dinheiro que circula nos Campos é, principalmente, de saharauis que trabalham em outros países e mandam dinheiro para suas famílias. Com estes parcos recursos, a vida de algumas famílias torna-se um pouco menos precária.
Estes enormes sacos plásticos são caixas d’agua fornecidas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Aos que não podem adquirir reservatórios extras, esta é a única água disponível para beber, higiene pessoal e da casa. Parte considerável das doenças que acometem os refugiados nos Campos são derivados da péssima qualidade da água.
Pedaços de lata, arames e cerca podem ser vistos espalhados pelos Campos. O material serve para se improvisar pequenos currais que algumas famílias constroem para criação de poucas cabras e ovelhas.
A senhora Buyema carrega o escasso leite que acabou de ordenhar. Ela tira apenas o necessário que será servido às visitas que estão prestes a chegar. Do seu lado direito, a sua casa de alvenaria. Em frente à casa, a raima dos Buyemas.
“Porque a raima significa união, e, portanto é quase sinônimo de família. Ao mesmo tempo é a sombra onde se guarda a sabedoria, a idiossincrasia. É tudo isso, mas é também o lugar ao qual se vai: é a metáfora da desejada pátria.” (Limam Boisha, poeta saharaui, em “Ritos de jaima”)
A criança corre para (talvez) encontrar-se com outra. Talvez esteja no mundo das “inventividades” infantis que transforma um pedaço de pau em cavalos galopantes que atravessam os muros da dor e da vergonha. Um cavalo alada que a leva para casa de seus antepassados em alguma praia no litoral do seu país, o Saara Ocidental.
Os espaços vazios das “ruas” escondem uma vida pulsante, resistente que está acontecendo no interior das casas/raimas. Na escola de Ensino Médio Sueilem Ahmed, no Campo de Auserd, estudantes parecem mesclar a surpresa com a nossa visita, com o desânimo durante uma aula de matemática.
A DESPEDIDA: O povo saharaui é reconhecido por sua hospitalidade. O esforço para me fazer sentir acolhida, protegida, bem alimentada foram permanente. O último dia chegou: 29 de fevereiro. Com a família Buyema e alguns/algumas amigos/amigas, organizamos um piquenique. Encontramos uma árvore e ali nos estabelecemos.
As crianças estavam em êxtase. É como se estivessem em uma enorme área de lazer. Não é algo rotineiro saírem para um dia lazer, fora do Campo.
Usar o uniforme do Real Madrid fazia-o exibir-se. É como se ao usá-lo ele se transformasse em parte desta comunidade futebolística. E aí também está declarado o vínculo que segue tendo com a Espanha. A camisa é a número 7, de quando o jogador Cristiano Ronaldo fazia parte do elenco do time espanhol.
Um pouco de carvão, umas pedras, uns espetos de metal: eis os apetrechos necessários para se fazer um delicioso churrasco de carne de camelo, uma das iguarias saharauis.
Churrasco e chá? Sim. Em todos os encontros que participei (fossem reuniões ou encontros em casas de amigos), o chá saharaui estava lá. Ele é servido quente, em três momentos distintos. Saber prepará-lo é uma arte transmitida entre gerações.
Ao longo da organização da viagem (cerca de um ano de preparação) e durante a minha estadia nos Campos contei com a ajuda solidária de várias pessoas. Agradeço imensamente à Isabel Lourenço, ao Ali Squerid e família, ao Sayid Marcos Tenório, à Nura Banna, à UNMS (União Nacional de Mujeres Saharauis), ao embaixador Emborik Ahmed (representante da Frente Polisário no Brasil), ao Larbas Said Lawlad, ao Grupo de Estudos “Retóricas do Poder e Resistêncais”/UnB, à Dahduh Buyema (pela tradução). Minha profunda gratidão à família Buyema. Agradeço ao Israel Branco e à Mirai Fantajii Multimídia pela dedicação na montagem desta exposição. Fotos e textos: Berenice Bento.

Artigos:

BENTO, Berenice. Entre os saarauis: diáspora, deserto, determinação, 2020. operamundi.uol.com.br/analise/63940/entre-os-saarauis-diaspora-deserto-determinacao.

LOURENÇO, Isabel. Saharawi Children and Students under occupation, WP/CEAUP/#2019/1, 2019. africanos.eu/index.php/en.

______. Saharawi Political prisoners – The impact of detention on families Psychological, social and economical Impacts on the families of the prisoners, 2018.

academia.edu/37155690/Saharawi_Political_prisoners_-The_impact_of_detention_on_families_Psychological_social_and_economical_Impacts_on_the_families_of_the_prisoners.

______. Sahara Occidental Mujeres bajo ocupación, 2017. academia.edu/37155671/Sahara_Occidental_Mujeres_bajo_ocupación.
TENÓRIO, Sayid Marcos. A intensa força das mulheres do deserto, 2018. in:vermelho.org.br/2018/10/29/a-intensa-forca-das-mulheres-do-deserto

Livros:

AFRICANA STUDIA. Saara Ocidental – as políticas do impasse. Revista Internacional de Estudos Africanos, Porto, Universidade do Porto/FLUP, n. 29, 1º. Semestre 2018.

BOISHA, Limam. Ritos de jaima. Zaragoza: Ediciones Bubisher, 2019.

BARONA, Cláudia. Los hijos de la nube. Estrutuctura y vicisitudes del Sahara Espanol desde 1958 hasta la debacle. Madrid:Langre, 2004.

LUSUARDI, Caterina; SILOCCHI, Roberta. Ecco, sono venuti a prendermi: resistenza e tenerezza dele donne sharawi. San Martino: San Martino, 2019.

MARTÍN, Rocío Medina. Mujeres Saharauis: três tuizas para la memoria de la resistência. Sevilla: Aconcagua Libros, 2016.

SUZIN, Giovana Moraes; DAUDÉN, Laura. Nem paz, nem guerra: três décadas de conflito no Saara Ocidental. Rio de Janeiro: Tinta Negra, 2011.

Páginas eletrônicas:

Asociación de familiares de presos e desaparecidos saharauis. AFAPREDESA. afapredesa.blogspot.com

Escuela de Cine Sahara. escueladecinedelsahara.org.

Missão das Nações Unidas pelo referendo do Saara Ocidental. minurso.unmissions.org

Por un Sahara Libre.www.refugiadoseneldesierto.com

Unión de las mujeres saharauis.arso.org/UNFS-Homepage.htm

Unión de periodistas y escritores saharauis. web.archive.org/web/20120828223158/http://www.upesonline.info/index_eng.asp

Documentários e reportagens:

O deserto do deserto. youtube.com/watch?v=sEuzunIyc7o

Four days in Occupied Western Sahara – a rare look inside Africa’s Last Colony. In: Democracy Now. youtube.com/watch?v=smg97ib_yfM.

Hijos de las nubes, la última colonia. youtube.com/watch?v=l991yXcQ7go

Um fio de esperança: independência ou guerra no Saara Ocidental. Direção: Renatho Costa e Rodrigo Duque Estrada. Documentário. Disponível em: youtube.com/watch?v=KY1bfcnG3Js&vl=pt.

Sumud. 40 años de resistencia.youtube.com/watch?v=IQrYo1K-v3I

Tribus Nómadas del Sahara.youtube.com/watch?v=6T-la0hrrSU
Previous
Next

45 Comentários

  • Anibal Guimarães
    Anibal Guimarães

    Mais uma vez, BB nos oferece a oportunidade única de conhecer outras realidades. Tão perto, tão próximas e, ao mesmo tempo, ignoradas e silenciadas. A potência deste povo nos chega através de seu relato sensível e delicado. Embora cunhado na aspereza e secura do deserto, a poesia se faz presente em sua narrativa. Com mais essa riquíssima experiência, Berenice reitera seu inequívoco compromisso com tudo aquilo que é humano, busca afastar a confortável indiferença com “o outro” e nos convida à reflexão sobre a simplicidade do viver, e o lugar que nos é reservado no mundo. Um documentário em
    vídeo é muitíssimo bem-vindo!

  • Capitolina Díaz
    Capitolina Díaz

    Querida Berenice, enhorabuena y muchas gracias. Enhorabuena porque has hecho unas fotografías entrañables y que nos acercan al pueblo saharaui, casi como si estuviéramos allí. Pero aunque las fotos hablan por sí solas, tus magníficos comentarios sociológicos, son un complemento excelente.
    Muchas gracias porque me has acercado a un mundo con el que siempre me he sentido en deuda. Ha sido territorio español y no lo hemos tratado bien. Mala colonización y peor descolonización.

    • Berenice Bento
      Berenice Bento

      Estimada Capitolina, es verdad: mala colonización, pero descolonización. Perfecto! Un fuerte abrazo desde Brasília.

  • Delia Dutra

    Berenice, quanta sensibilidade transmite esse registro. Duas crianças, dois olhares, duas vivências com um ponto de partido comum: incertezas, sonhos, esperança.

    • Berenice Bento
      Berenice Bento

      Kuracê, ao final da exposição tem links para artigos e documentários de alta qualidade.Um forte abraço.

  • Andrea Vettorassi
    Andrea Vettorassi

    Belíssimo trabalho! Não só as imagens me emocionaram e me trouxeram ricas informações, como também as mensagens que as compunham. Muito obrigada pela partilha e parabéns pela incrível pesquisa de campo.

  • Augusto Lima
    Augusto Lima

    Lindas imagens de uma bela (embora difícil, trágica, heroica) história, de um povo valoroso que, como demonstram as fotos e textos aqui, trazem a lição da vida pulsante e da vontade inabalável daquele povo, negando a percepção de aridez do deserto que nós, que não somos de lá, acostumamos ter.
    Foi nos anos 1980 que tomei conhecimento da luta do povo saharaui, através dos Cadernos do Terceiro Mundo. Desde logo fiquei admirado da sua luta, da coragem e da vontade de construir seu lar. As fotos mostram a beleza que contrasta com a história dura e obstinada. Ver as fotos foi um reencontro com esse povo e um encanto, sintetizado naquele olhar da menina ao encontro da fotógrafa: a beleza enorme daquela que traz a sua cultura, está firme no presente e sonha que construirá o futuro para si e para seu povo.

    • Berenice Bento
      Berenice Bento

      Muito obrigada pelos comentários, Augusto. A esquerda tinha uma sensibilidade mais aguçada para o internacionalismo. Não estou certa, porque não atuo mais em estruturas partidárias, mas acho que a dimensão nacional acabou fazendo com que às questões das opressões de outros povos não apareçam nos debates. Veja, por exemplo, a dificuldade da esquerda em assumir plenamente o boicote a Israel.

  • SELLAMI
    SELLAMI

    Olá Sra. Berenicia, quero parabenizá-lo e agradecer em nome de vários de meus colegas saharauis por este bom trabalho sobre a situação dos refugiados saharauis que vivem em condições difíceis com o esquecimento da comunidade internacional e o real político aplicado por as grandes potências do mundo no Sahra Ocidental.
    Sellami Ahmed

  • Veneziano Alves de Melo Bento
    Veneziano Alves de Melo Bento

    Minha querida irmã saiba e não se esqueça jamais que você é uma grande referência para mim. Seu nome e sua vida são lembrados no dia a dia do meu consultório e nos treinos em equipe com a turma do triatlon. Levantar a bandeira dos grupos excluídos e, multas vezes, marginalizados é necessário, porém poucos são os que ousam assumir tal compromisso. Poderia citar várias passagens onde te vi com o “sangue nos olhos” em defesa de uma causa, vou citar apenas uma situação: você, ainda adolescente, na linha de frente pelas Diretas Já no início da década de 1980 na Cinelândia ( Rio de Janeiro).
    Parabéns por tão grande obra.

    Assinado: Seu fã número 1

    Veneziano Alves de Melo Bento

    • Berenice Bento
      Berenice Bento

      Meu irmão amado, que palavras lindas. Muito, muito obrigada. Amo muito vocês. A sua memória é privilegiada. Caramba, eu tinha 15 anos na época das Diretas… E, sim, somos filhos/as de Maria, retirantes com orgulho. É dela que vem o “sangue nos olhos”.

  • Magnus
    Magnus

    Emocionado pelo seu convite em conhecer o tesouro do povo Saharaui assim como sobre os 45 anos de história de resistência pela autodeterminação de suas terras, cultura e reconhecimento político internacional. Berenice, eu já sabia de sua vocação para pesquisa emancipatória, sempre falando com/por/sobre as comunidades mais violadas historicamente. Mas esse trabalho me pareceu o mais desafiador -as fotografias dizem muito. Inquestionavelmente, você é uma potência, estou demasiadamente tocado pela beleza desse acervo fotográfico e aprendizado político. Nesse sentido, lanço o desafio de montarmos uma Raina Saharaui transcontinental, talvez começando com uma itinerância (ainda que virtual) pelas Universidades, aproveitando o “deserto” que a pandemia nos deixou. Bjs

    • Berenice Bento
      Berenice Bento

      Meu querido e inspirador Magnus, o desafio de montarmos a raima saharaui (no bom espírito nômade beduíno, ancestrais dos saharauis) está aceito. A raima virtual pode ser instalada em universidades e fazermos boas conversas. Muito obrigada pelas palavras lindas. Beijos.

  • Flávio Adriano Nantes
    Flávio Adriano Nantes

    Conheci BB, a quem chamo de rainha, quando me iniciei nos Gender Studies, e desde então tenho acompanhado seu trabalho carregado de potência, justiça, democracia e com muita, muita poesia. Uma pesquisadora das excelentes, capaz de nos arrojar a lugares impensáveis e, muitas vezes, ocultos por uma política de morte, invisibilização, silenciamento, empreendida pelo Estado-nação ao redor do mundo.
    Como eu aprendi com os poetas, eu só tenho flores para lhe oferecer, Berenice 🌸

    • Berenice Bento
      Berenice Bento

      Flávio, ainda tomo leite quente com açúcar e me lembro do teu texto. Meu amigo, muito obrigada pelas palavras açucaradas. A única coisa que gostaria, profundamente, é que pontes sejam construídos com a vida saharaui. Um beijo, meu querido.

  • Margarete Almeida Nepomuceno
    Margarete Almeida Nepomuceno

    Berê
    Fiquei tão emocionada e silenciada por estas imagens. Pensei na minha cegueira moral diante de realidades tão vívidas e tão invisibilizadas neste mundo de escolhas pelo protagonismo aos olhos do capital. Olhei principalmente as crianças e das mulheres, vi e revi as imagens, me senti e me reconheci nelas, embora mundos diferentes, mas ainda há algo de humano que nos conecta, que nos irmana e nos dá sentido de pertença ao mundo. Minha pele cheia de emoção e encantamento. Ah! Bruta flor! Sou grata por sua força, coragem e determinação de uma doce bárbara. Sempre serás para mim uma luz, um caminho, uma referência. Obrigada querida! Nem todas palavras traduzem este aprendizado.

    • Berenice Bento
      Berenice Bento

      Minha querida Margarete, que saudades de você. Concordo com você: é possível sermos afetadas profundamento por vidas que não são as nossas, mesmo sem saber a língua, ou sem conhecermos pessoalmente pessoas que vivem em situação de profunda injustiça e opressão.Esta capacidade tão singular de produzir responsabilidade ética pelo Outro pode vir, inclusive, por fotos. Beijos, minha querida.

  • Jonatas Moreth
    Jonatas Moreth

    Que incrível trabalho, Berenice. Ver essa exposição, que de certa forma fica uma complementação os textos, é uma experiência (e uma viagem junto com vc) muito proveitosa. Toda força e solidariedade ao povo Saharauis!!!

  • Tânia Mara
    Tânia Mara

    Querida Berê
    Por meio de sua lente sensível, audaciosa e fina, temos em nossos olhos um mundo colorido, forte e digno descortinado. Obrigada por fortalecer a chama da luta, ao nos trazê-la acessa de tão longe, por tanto tempo e pelo melhor do humano.

  • philippe poncet
    philippe poncet

    “Uma paraiba no saara” (para parafrasar outro texto da BB) ! Gostei das fotos e dos cartazes, explicando esse territorio imenso, disputado entre Mautinania, Marroco e Algeria (por causa dos fosfatos e do litoral, cobecidos pelos estados arabes) quase-totalmente esquecido. Comovente é ver que até hoje en dia, existem escolas, profesoras, alunas, administraçao do RASD e combate pela auto-determinaçao. Reguibat, tekna, Haratins, Hassaniya sao linguas. Bir el Lahloun, Dakhla, Laâyoune, Inhili, sao lugares, entre outros. Na França, costumamos dizer que essas populaçaos sao “Mauros”, o que nao quer dizer nada.
    So a luta por um modo de viver e, suponho, o cha de hortelao, o melhor do mundo (três copos rituais, do mais amargo até o mais doce, pelo que sei).

  • Judit Lia Busanello
    Judit Lia Busanello

    Querida Berenice, é com gratidão que te escrevo. Tu fostes uma das primeiras pessoas que li quando comecei atender as pessoas trans. Indicada por uma aluna da UFMG e UFRJ, Lais. No seu livro Transexualidade, todos os que um dia conversaram contigo, guardavam com carinho sua presença. Nesta sua nova jornada também vi, pobreza, luta, invasão, sofrimento, doença… parece que isto se repete em vários países, pessoas e humanidades. Tuas fotos me encantaram pelas cores, sou colorida por dentro. Em alguns momentos, senti saudades do nordeste brasileiro, onde cabras, bodes e guinés compõem o cenário e a hospitalidade nordestina faz a união do RAIMA. Noutras, o churrasco e o chimarrão me fizeram um com meu povo sulista e com você. Somos uma só consciência e a desejada e sonhada Pátria da Família Humana só acontecerá quando as atitudes de quem tem sabedoria e poder, estiverem a serviço dos humanas. Talvez aprendam contigo.
    Um chero carinhoso
    Judit

  • Rose Mary Santana Conceição
    Rose Mary Santana Conceição

    Professora, Berenice Bento, Gratidão por compartilhar esse exercício tão precioso! Muito me honra ser sua aluna!

    Mary

  • Cinara Barbosa
    Cinara Barbosa

    Querida Berenice,
    que trabalho forte e necessário. Fiquei muito feliz de conhecer e saber dessa história. Parabéns pelo olhar! Espero que possamos fazer algo juntxs em algum caminho pela frente.

    super beijo!

  • ulisses neves rafael
    ulisses neves rafael

    Berenice, muito comoventes as imagens e muito informativas. Parabéns pelo esforço e resultado.

  • Maria Hetzler
    Maria Hetzler

    Querida Berenice,
    que testemunho de “ver e fazer ver o não visível” trabalho que nos ajuda a colaborar, todos, no cuidado da vida: forte e necessário. Coragem! Aí está o verdadeiro sentido da vida!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *