“Sionismo de esquerda”: suspiros finais


“Sionismo de esquerda”: suspiros finais

Berenice Bento

(publicado no Le Monde Diplomatique – Brasil – https://diplomatique.org.br/sionismo-de-esquerda-suspiros-finais/#_ftn1)

 

 

Ainda que seja impossível negar o avanço do apartheid e da colonização palestina, o redwashing segue insistindo que o problema da tragédia palestina está nas vitórias consecutivas da extrema direita em Israel.

 

 

Em 2017 escrevi um artigo, no calor de minhas memórias da segunda viagem à Palestina, em que discuti o papel político nocivo de quem defende o Estado de Israel dentro da esquerda: os “sionistas de esquerda”. Sugeri nomear de redwashing (lavagem vermelha) aos dispositivos discursivos autodenominados de “esquerda”.  O “red” (vermelho) faz referência à cor símbolo da esquerda. Ao redwashing somam-se outras tentativas de lavagem da imagem do Estado de Israel perante o mundo: veganwashingpinkwashing, artwashing. Esses conceitos têm um eixo estruturante comum: objetivam denunciar as estratégias do Estado de Israel em se apresentar como um lugar em que a democracia e os direitos humanos são respeitados.

Há algum tempo o Estado colonial e segregacionista israelense percebeu que a guerra contra o povo palestino deveria ser travada no front da propaganda[1]. Seria fundamental ganhar a guerra das disputas morais e Israel deveria ser construído como moralmente superior aos seus vizinhos do Oriente Médio.  A “marca israelense” deveria ser banhada pela pílula dos valores ocidentais[2]. Adensam-se, desta forma, outras camadas sofisticadas para tornar invisível o processo de genocídio que vem sendo cometido contra o povo palestino desde 1948.

A deserção do sionismo tem aumentado entre judeus e judias espalhadas pelo mundo que se manifestam enfaticamente contra a instrumentalização do Holocausto pelo Estado de Israel para justificar sua política colonial, a exemplo dos coletivos Jewish Voice for Peace, Jews say no, Los otros judios[3].   Pergunto-me o que faz com que um judeu ou uma judia rompa com o sionismo e atue em coletivos que se organizam em torno de valores éticos opostos aos praticados por Israel (coletivos antirracista, socialistas, defensores dos direitos humanos), enquanto há outros judeus a fazer a defesa insustentável do Estado de Israel. Esta questão pode ser melhor compreendida a partir da leitura de duas obras que têm o “sionismo de esquerda” como tema: o livro Aliyah: Estado e subjetividade entre judeus brasileiros em Israel/Palestina, de Miguel Vale de Almeida e a dissertação Entre fantasmas, esperanças e crenças: a angústia do “sionismo de esquerda”de Bianca Albuquerque Marcossi.

A primeira obra nos apresenta as motivações que levaram trinta brasileiras judias e brasileiros judeus, no usufruto da “Lei do Retorno” (aspeado para marcar a minha divergência com a noção de “retorno”) a se mudarem para Israel e a ascenderem a cidadania israelense. O recorte para selecionar as entrevistadas e entrevistados, segundo o autor, foi à adesão destes às formas de “sionismo mais liberais” e/ou auto definidos com o “sionismo de esquerda” (outra vez: as aspas são para me distanciar destas qualificações equivocadas de sionismo).

A pesquisa de Marcossi analisa relatos de judias e judeus residentes em São Paulo ou no Rio de Janeiro, com o mesmo perfil político-ideológico dos selecionados por Almeida. Estas pesquisas nos apresentam depoimentos que demonstram níveis diferenciados de cansaço entre entrevistados na tarefa impossível de defender, pela matrix de esquerda, o Estado de Israel.

Marcossi fez sua pesquisa entre os anos de 2016 e 2017 e Almeida entre os anos 2012 e 2014. Em um curto espaço de dois anos, 2018 e 2020, a política colonial e segregacionista (ou talvez: segregaSionista) de Israel aprofundou-se. Em 2018, o parlamento israelense aprovou a lei que define o Estado-nação de Israel como exclusivamente para judeus e judias, o que torna cerca de 23% da população israelense (palestinos-israelenses) excluídos da cidadania plena[4]. Embora esta cidadania nunca tenha sido exercida ao mesmo nível que a das judias e judeus israelenses, com esta lei se passa a outro patamar do apartheid; Jerusalém foi declarada capital de Israel, contrariando o Direito Internacional; a intensificação da repressão às  palestinas e palestinos de Gaza: foram mais de 8000 feridas e feridos e 215 mortos pelas forças armadas israelenses[5] nos dois anos das Marchas do Retorno. E agora, enquanto escrevo este ensaio, o mundo assiste perplexo ao Plano de Anexação[6].

 A esquerda e o sionismo: o passado idílico de Israel

Qual Israel habita o imaginário de quem colaborou com as duas pesquisas? Utilizando-se de mapas e dados oficiais, a pesquisador Bianca faz um jogo instigante para alcançar a Israel imaginada pelos “sionistas de esquerda”. Esta estratégia de pesquisa não tinha como objetivo “provar” para seu interlocutor que a defesa de dois Estados se tornou uma retórica vazia devido à usurpação continuada de Israel das terras e vidas palestinas, da fragmentação territorial, do controle da vida econômica. A autora estava tentando compreender, dar inteligibilidade, às bases objetivas que sustentam a fé em Israel daqueles que se dizem “sionistas de esquerda”. Quem concedeu entrevista para Miguel vive em Israel, são corresponsáveis pela política de Israel na guerra demográfica contra o povo palestino. Da mesma forma que outros ocupantes, usam o argumento de pertencimento à terra para justificar a colonização da Palestina. Em ambos cenários destas pesquisas a ausência de qualquer preocupação com a situação do povo palestino é gritante. Um dos motivos que usam para justificar suas opções pela cidadania israelense é a segurança. É assustador acionarem este argumento porque a segurança deles é o terror do povo palestino. A poucos minutos de Telavive, nos checkpoints, palestinas e palestinos são diariamente submetidos à violência brutal do exército israelense. Como é possível pessoas que se dizem vinculados a um ideário de justiça, invisibilizarem em suas falas as atrocidades que diariamente o povo palestino sofre? Esta ausência de sensibilidade pelas injustiças contra o povo palestino é um dos pontos de unidade entre quem participou das duas pesquisas.

Ao contrário da esquerda mundial que se mobiliza em torno da causa palestina, esse grupo que participou das duas pesquisas tenta usar os espaços dos movimentos sociais para defender o Estado opressor. São contra a ocupação porque o povo palestino não pode respirar? Não. A ocupação produz desmoralização do Estado de Israel, coloca-o em perigo (Almeida, 2019; Marcossi, 2018). Assim, essas pessoas estão nos movimentos de esquerda não para defender quem está sendo injustiçado, oprimido, colonizado, segregado, mas para, a partir da farsa do “diálogo”, do mantra “precisamos parar com as narrativas binárias”, produzir a falsa ideia de que estamos diante de um conflito simétrico. Infelizmente, para essas pessoas, o principal inimigo de suas retóricas é o próprio Estado de Israel porque, desde sua fundação em 1948, não se nota qualquer recuo em sua política de limpeza étnica.

Ainda que seja impossível negar o avanço do apartheid e da colonização palestina, o redwashing segue insistindo que o problema da tragédia palestina está nas vitórias consecutivas da extrema direita em Israel. Então, “precisamos fazer com o que a esquerda volte ao poder para reestabelecermos o diálogo com o povo palestino”. Um tempo histórico ficcional organiza suas memórias.

Em toda história do Estado de Israel o povo palestino perdeu terras, viu muros sendo erguidos, casas demolidas, crianças sendo presas e torturadas. Na perspectiva do povo palestino – pois é esta que deve ser adotada aos que se identificam com o ideário de igualdade, justiça e direitos humanos -, não há diferença entre Ben Gurion e Benjamin Netanyhu. De certa forma, o “plano de anexação”, articulado por Trump e Natanyahu, pode ser interpretado como uma versão contemporânea do Plano Dalet, no qual o “socialista” Ben Gurion arquitetou a limpeza étnica da Palestina e que culminou com a expulsão de 800 mil palestinos de suas terras e 31 massacres contra os vilarejos palestinos (Pappé, 2017; Bento, 2018).

A anexação de hoje só é possível porque genocidas como Ben Gurion, prepararam o caminho. Ben Gurion não respeitou a resolução da ONU que determina o direito de retorno do povo palestino para suas casas e terras[7], assim como nenhum dos governantes que lhe seguiram.  Não há contradição entre Arien Sharon e Golda Meir.

Quem tenta lavar os crimes de Israel com tinta vermelha está convencido que o povo judeu precisa de um Estado, um tipo de discurso messiânico que encontra no Estado de Israel a própria encarnação do messias.  A necessidade do Estado ancora-se em uma ontologia antissemita.

O antissemitismo é um monstro que pode estar adormecido, mas existe. E nesta construção, o não-judeu torna-se, potencialmente, antissemita.  E como interpretar a posição dos judeus antissionista? Estes desenvolveram um tipo de ódio muito particular por si mesmo, afirmam. O próprio direito do povo palestino em lutar contra a dominação colonial e segregacionista israelense, através do chamado global pelo boicote, desinvestimentos e sanções (BDS) torna-se um sinal do antissemitismo. E assim, terminam por transformar todo palestino em um antissemita, portanto, inimigo. Na carta “Boicote a Israel não é igual a antissemitismo” judeus e judias quebram esta vinculação[8].  Mas a tensão subjetiva, o cansaço na defesa do Estado de Israel, a falta de conhecimento sobre fatos históricos básicos – a exemplo da limpeza étnica pesquisado pelo historiador Ilan Pappé (2018) -, atravessam as narrativas de quem é “sionistas de esquerda” nas duas pesquisas aqui analisadas. Estamos assistindo a agonia, a angústia, os suspiros finais dos adeptos ao redwashing.

Um dos colaboradores da pesquisa de Bianca vive um aparente dilema ético em sua relação com o Estado de Israel. Ele tem uma profunda proximidade com Israel, parece ser um dos mais importantes articuladores do chamado “sionismo de esquerda” no Brasil, tem dupla nacionalidade (Brasil e Israel) e estudou em Israel. E, em algum momento da entrevista, afirma que não gosta de se lembrar do período em que serviu ao exército de Israel. Não tenho muito familiaridade com a psicanálise, mas sei que aí tem um problema. O que ele viu? “Não querer lembrar” me joga imediatamente para o campo das moralidades. Ao mesmo tempo, Moisés (batismo ficcional dado por Bianca), segue fazendo seu trabalho sujo de convencer que o caminho é o diálogo entre os dois povos, quando ele mesmo foi uma peça da máquina de morte que é o Estado de Israel. Mas para este mesmo colaborador, que parece ser a síntese deste campo discursivo e prático, o redwashing, Israel seria maravilhoso, pena que há a “questão palestina”, de um lado, e os extremismos da direita israelense, do outro.  A única forma de salvar os palestinos seria salvar Israel das mãos da extrema direita que governa o país há anos. Esta fórmula política revela a estrutura colonial dos argumentos que constituem a subjetividade dos “sionistas de esquerda” brasileiros.

Certamente pela perspectiva palestina não há diferença entre sionista que está em suas terras em um assentamento e outro que está em Jerusalém Oriental. Israel nasceu da violência.  Fazer a Alliyah em 1948, assim como atualmente é tornar-se cúmplice da guerra demográfica de Israel contra a Palestina.  Os kitbutzim, foram construídos em terras palestinas e o povo que ali habitava tornou-se mão de obra para servir os moradores socialistas desta utopia sionista. Uma das entrevistas de Almeida lembra uma época feliz em que no kibutz Bror Hail, que fica a poucos quilômetros da Faixa de Gaza, era possível ter “árabes” como empregados (“Os árabes trabalhavam aqui! Os da Faixa de Gaza trabalhavam aqui”, Almeida, 2019:127)

Talvez alguém possa se perguntar: você é contra judeus terem um lugar para viver? Judeus e judias, muçulmanos e muçulmanas, cristãos e cristãs viviam juntos na Palestina até os primeiros anos do século XX. O projeto dos askenazim, judeus e judias europeus de colonizar a Palestina poria um ponto final a esta coabitação histórica[9].

Em que momento este Estado se posicionou a favor das lutas anticoloniais, anti-imperialista ou por libertação nacional? Nunca. Mais do que um posição neutra, Israel treinou militares, ensinou técnicas de tortura, participou de torturas, a exemplo do Reino de Marrocos.  Sugiro que assistam ao documentário Por Dentro do Mossad, disponível na Netflix. Encontraremos aí uma amostra pálida dos aliados de Israel. Não é à toa que os neofascistas de hoje, a exemplo de Bolsonaro, encontram na experiência israelense inspiração continuada para seu projeto de mundo baseado na ânsia de eliminação física dos seus oponentes.

Não terei tempo de analisar a perseguição e a tortura psicológica que vem sendo implementada contra os/as ativistas e acadêmicos do movimento BDS ou a qualquer um que ouse criticar Israel, a exemplo das perseguições contra o ex-deputado Milton Temer, do professor Jamal Harfoush e, mais recentemente, a vergonhosa perseguição ao filósofo Achille Mbembe[10]. O Estado de Israel insiste em tentar fazer coincidir duas coisas de naturezas distintas, o antissemitismo e antissionismo como mecanismo de regulação da liberdade de expressão nos espaços públicos.

Os novos colonos da Palestina

Os “sionistas de esquerda”, blindados que estão pelas narrativas ontológicas do antissemitismo e em seu desprezo pelos sofrimentos do povo palestino, não compreendem por que o povo palestino não entende que eles só querem o seu bem, só desejam que os dois povos vivam em harmonia, com seus dois Estados. “Que radicais que não entendem algo tão simples!” A libertação do povo palestino, neste sentido, não está nas mãos do povo palestino, em suas lutas pela autodeterminação, pelo boicote a Israel, mas na compreensão de que apenas com a mudança na correlação de forças na política israelense os palestinos serão livres.

A Sociologia tem como um dos pilares de suas formulações a tensão entre mudança e permanência nas estruturas sociais e nas subjetividades.  Escolas sociológicas foram formadas em torno desta díade. O que leva uma pessoa a negar as verdades interiorizadas na socialização primária? Esta negação nos coloca diante do que Adorno (2011) chamou de “crise ética”: quando os valores universais (transmitidos pela família, por exemplo) já não fazem sentido a partir de experiências individuais. O universal encontra na experiência singular seus próprios limites. A crise ética abre espaço para profundas reconfigurações subjetivas. A minha questão é entender o porquê pessoas que vivem a mesma experiência histórica a leem de formas distintas. O que faz com que um judeu ou uma judia rompa com o sionismo? Quais as condições biográficas e subjetivas fazem com que um judeu e uma judia, que se diz de esquerda, tenha participado diretamente da máquina colonial israelense e, ainda assim, não veja contradição entre potencialmente matar palestinos e palestinas e se dizer de “esquerda”?

A pesquisa de Almeida nos aproxima do oportunismo hegemônico dos entrevistados e entrevistadas que acionam a prerrogativa religiosa (fazer a Aliyah) para se tornarem cidadãos israelenses. Se no primeiro momento da colonização (ou das primeiras Aliyah) o sentido religioso, o suposto vínculo original com Israel (leia-se: Palestina), tinha alguma ressonância, agora, a religião descarnou-se, deslocou-se dos sentidos da ação. Em um movimento de reconfiguração do sentido da ação próximo ao que Weber (1992) observou em sua análise da relação entre religião e economia (ao estudar o vínculo entre protestantismo e capitalismo), agora, com novos colonos judeus e judias oriundos do Brasil, nota-se a pura razão instrumental (melhor emprego, mais segurança, qualidade de vida)  motivando suas ações.  E os quase dois milhões de palestinos que vivem em 58 campos de refugiados, ali tão perto, em Gaza, na Cisjordânia?  O que dizem os sionistas sobre o retorno do povo palestino nas duas obras aqui tratadas, direito já reiteradamente assegurado pela ONU? Nada. Silêncio.

Conforme apontei no artigo Redwashing: discursos de esquerda para limpar os crimes do Estado de Israel, a luta por justiça social continua sendo o eixo que unifica quem se engaja contra as múltiplas formas de exclusão em contexto neoliberal e neocolonial. O discurso redwashing não é apenas cúmplice, no sentido de assistir ao desaparecimento de um povo, é parte estruturante da sofisticada e tentacular necropolítica (Mbembe, 2003) do Estado de Israel.

 

 

[1] Ver o documentário The occupation of the American Mind.

[2] Ver: Israel: a terra prometida do pinkwashing, in: /https://racismoambiental.net.br/2018/10/11/israel-a-terra-prometida-do-pinkwashing/

[3]  Ver: Jewish voice for Peace, https://jewishvoiceforpeace.org/; Jews say no,  https://jewssayno.org/about/; Los otros judios,  https://losotrosjudios.com/

[4] Ver: Estado-nação israelense: nova etapa do apartheid colonialista, in: https://operamundi.uol.com.br/analise/53880/estado-nacao-israelense-nova-etapa-do-apartheid-colonialista

[5] Ver: O Globo. A vida dos palestinos atingidos nos olhos em protestos, in: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/06/21/a-vida-dos-palestinos-atingidos-nos-olhos-em-protestos.ghtmlAl Jazeera. Palestinian groups cancel mass gaza rallies due coronavirus, in: https://www.aljazeera.com/news/2020/03/palestinian-groups-cancel-mass-gaza-rallies-due-coronavirus-200328172443167.html

[6] Ver: Solução de um ou dois estados – Palestina 005, Canal Tese Onze – YouTube; Al Jazeera. Palestine and Israel: Mapping an annexation, in: https://www.aljazeera.com/indepth/interactive/2020/06/palestine-israel-mapping-annexation-200604200224100.html?fbclid=IwAR2jb-iYJfXgik8qF4Md4ORezFVbv6P-ABAIZgGsPuerfxK3a0eD3DUZ7ZM

[7] Resolução 194 III, 11 de Dezembro de 1948, a Assembleia Geral da ONU.

[8] Dezenas de acadêmicos judeus e israelitas alertam: boicote a Israel não é igual a antissemitismo. https://www.mppm-palestina.org/content/dezenas-de-academicos-judeus-e-israelitas-alertam-boicote-israel-nao-e-igual-anti-semitismo

[9] Ver documentário A história do sionismohttps://www.youtube.com/watch?v=MWtMW1-m9bs;

[10] Sobre o caso ver: O fantasma da comparação, in: https://www.goethe.de/ins/br/pt/kul/mag/21864662.html e
Carta aos alemães https://www.goethe.de/ins/br/pt/kul/mag/21864261.html

 

 


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